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1º Encontro do Movimento “Por eles”: Uma construção de pontes de Apoio, Respeito e Visibilidade

Evento reúne famílias, autoridades e educadores em defesa da inclusão e do apoio às pessoas atípicas

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1º Encontro do Movimento “Por eles”: Uma construção de pontes de Apoio, Respeito e Visibilidade
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Para muitas famílias, a manhã do último sábado (11), representou um marco inicial rumo à ampla conscientização, visibilidade e compromisso firmado com as crianças, jovens e adultos que possuem necessidades especiais ou condições associadas ao desenvolvimento atípico, como Autismo (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Síndrome de Down, Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), Transtornos da Linguagem e Transtornos Específicos da Aprendizagem, como dislexia e discalculia.

O encontro, idealizado e conduzido pela Supervisora de Ensino do município, Edinalva Natalina Severina da Silva Pereira, reuniu na Câmara Municipal mães atípicas, professores e membros da gestão municipal para um momento importante de troca, sensibilização pelo tema e levantamento das necessidades, desafios e estigmas enfrentados pelas mães que possuem filhos atípicos.

Para além da construção de um grupo de apoio solidário permanente, a iniciativa visa articular, junto aos órgãos municipais, medidas efetivas que promovam o desenvolvimento digno de pessoas atípicas e o respaldo psicossocial adequado para aqueles que também cuidam, essencialmente as mães, que na maioria dos casos apresentados, é a figura na qual recaem as responsabilidades e as angústias pelas lutas travadas diariamente para inclusão e acolhimento dos filhos com deficiências, transtornos e síndromes.

MANIFESTAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO DOS AGENTES POLÍTICOS

A preocupação com um desenvolvimento educacional adequado na infância é uma etapa crucial, com impacto significativo nas diversas fases e áreas que compõem a vida de uma pessoa atípica. No entanto, como os jovens atípicos são também inseridos e desenvolvidos na sociedade? O prefeito Ciro Costa, ali presente, destacou a importância de um acompanhamento continuado, demonstrando a atenção da gestão em propor iniciativas que visam a socialização desses jovens após a saída do ensino básico, período no qual muitos buscam a inserção no mercado de trabalho e a adesão ao Ensino Superior. Além disso, colocou as secretarias municipais à disposição para a causa.

Seguindo a mesma perspectiva, a vereadora Roberta Rodrigues, também salientou a preocupação em como a sociedade enxerga e absorve esses jovens e destacou a importância da compreensão das diferenças e especificidades que caracterizam cada indivíduo. Para ela, além da ampliação do quadro de especialistas na saúde, como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, para atendimento dessas crianças atípicas, se faz necessário um olhar humanizado para as mães que mantêm suas famílias. Pensando nisso, irá levar para deliberação em sessão na Câmara a pauta da redução de 8h de trabalho para 6h para as mães de crianças atípicas do quadro de servidores municipais, reforçando sua busca em transformar Santa Adélia numa referência em políticas públicas inclusivas na região.

Esse olhar voltado para as famílias também foi abordado pela primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Katu Belotti, que colocou o trabalho social à disposição das mães e familiares. Ela enfatizou a importância de, em parceria com a Secretaria da Educação, conhecer os históricos dos alunos, ouvir as famílias e acompanhar para traçar orientações e intervir nas diversas realidades das crianças e jovens atípicos. Complementando essa abordagem, a Secretária de Educação, Regina Selma, além de parabenizar Edinalva pela iniciativa e organização do evento, reforçou o compromisso da Secretaria em efetivar ações que contribuam para o desenvolvimento das crianças e jovens da rede de ensino, colocando-se à disposição da comunidade. O vereador Rick, por sua vez, também manifestou seu apoio e se colocou à disposição para contribuir com a causa.

RELATOS QUE SENSIBILIZAM E IMPULSIONAM A LUTA POR ELES

Os depoimentos de mães sobre suas experiências diárias com filhos atípicos marcaram um dos momentos mais sensíveis e de troca mútua do encontro. Nesse contexto, a supervisora Edinalva realizou a leitura de um texto importante, que abordou de forma delicada a adaptação como um aspecto essencial da resiliência. Complementando a reflexão, trouxe a explicação da teoria da pipoca, que faz uma analogia entre o estouro da pipoca e o pleno desenvolvimento infantil, ressaltando as particularidades de cada indivíduo, mesmo quando há semelhanças aparentes.

Durante os relatos, uma série de desafios comuns que se entrelaçam nas experiências de cada uma das mães foram apresentados, revelando as dificuldades e a busca incessante por apoio e compreensão. Mariana, coordenadora do projeto e pessoa atípica, além de mãe de um filho de 5 anos também atípico, compartilhou os desafios de conciliar sua vida profissional e pessoal e os custos com atendimento e medicamentos. Ela ressaltou a importância de criar redes de apoio efetivas, não apenas para famílias, mas também para professores, destacando como o respaldo psicológico é essencial para promover um ambiente mais acolhedor e inclusivo para todos. Karen, mãe de João, diagnosticado com TDAH e TOD, falou sobre a pressão e o sentimento de falhar como mãe diante das dificuldades comportamentais do filho. Ela destacou, ainda, a negativa da prefeitura em aceitar atestados de fonoaudiólogas e psicólogas como uma das barreiras para acolhimento das realidades das mães. Para Karen, essa falta de suporte institucional reforça a necessidade de uma colaboração efetiva entre saúde e educação para apoiar tanto as crianças quanto suas famílias.

Dona Alexandra, que enfrenta preconceito pela condição do filho e sua própria dificuldade em buscar apoio, refletiu sobre a discriminação que sofre. Ainda assim, expôs sua gratidão ao prefeito Ciro pela implementação do Cordão de Girassol, que melhorou a acessibilidade para pessoas com doenças ocultas, como é o seu caso com a fibromialgia, e ao vereador Rick, pelo suporte prestado à sua família. Tatiane, representante do jornal O Progresso, compartilhou sua experiência como mãe de um filho laudado, destacando os desafios enfrentados durante a mudança de escola. Relatou, com gratidão, a iniciativa de uma professora do município, que adaptou materiais para atender às necessidades de seu filho, facilitando sua inclusão e aprendizado no novo ambiente escolar.

Gabi, mãe de 3 meninas, uma diagnosticada, se colocou à disposição para compartilhar sua experiência e oferecer suporte na causa, enquanto Rita contou a história de seu filho, Guilherme, e os obstáculos encontrados no aprendizado, com a dificuldade de lidar com números, devido a discalculia, mas destacou que essa condição não o impediu de cursar Agronomia.

Silvana, mãe solo de dois filhos, um com TDAH e TEA, compartilhou os desafios de sua rotina, incluindo a falta de apoio e a dificuldade de acesso a terapias adequadas. Ela destacou as particularidades de sua jornada materna, enfatizando que seus filhos não têm um pai presente, mas apenas um progenitor. Maria José relatou a dificuldade de conseguir acompanhamento terapêutico para sua filha Maria Laura, especialmente na busca por psicólogos e terapeutas ocupacionais, uma realidade comum entre as mães que enfrentam as carências dos serviços públicos. Por fim, Lara, filha da supervisora, também compartilhou sua experiência como cuidadora de uma criança atípica.

MEDIDAS POSSÍVEIS

No que diz respeito as medidas que serão tomadas pela Educação, a secretária Selma, elencou como prioridade a conscientização dos familiares, através da escola, tendo em vista a resistência, muitas vezes fruto de estigmas, que os próprios pais evidenciam quando são abordados sobre o tema. A capacitação de profissionais educadores, também entra como medida prioritária para a implementação, junto à coordenação pedagógica, de ações adequadas a cada realidade identificada pela escola.

Além do campo educacional, ações possíveis e necessárias na esfera social incluem campanhas de conscientização, atendimentos iniciais e triagens. Na área da saúde, que depende diretamente do orçamento municipal, destacam-se a oferta de medicamentos e o atendimento médico especializado. Essas iniciativas reforçam a urgência de um esforço coletivo para construir uma sociedade mais inclusiva, garantindo que cada indivíduo, em todas as suas etapas de vida, tenha acesso ao cuidado, respeito e oportunidades que merece.

O grupo deve manter diálogo permanente e organizar novos encontros. O próximo já está marcado para o dia 06 de fevereiro, às 19h na Câmara Municipal, e trará a palestra da Drª Alaídes Franco com participação especial da Fabiana Arcas sobre o tema “Meu filho é diferente? E aí?

É fundamental o envolvimento e participação da comunidade nessa corrente de união e conscientização.

 

 

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