Desde sua campanha, Trump vem indicando a adoção de medidas protecionistas, como a taxação sobre importações de parceiros comerciais. México, Canadá e China, são países que estão na mira da taxação a partir do dia 1º de fevereiro, neste sábado.
Em relação ao BRICS, o presidente publicou na rede Truth Social: “Vamos exigir um compromisso desses países aparentemente hostis de que eles não criarão uma nova moeda nem apoiarão qualquer outra moeda para substituir o poderoso dólar americano, caso contrário, eles enfrentarão 100% de tarifas e deverão dizer adeus às vendas para a maravilhosa economia dos EUA”.
Ainda em 2024, o presidente estadunidense, já havia causado alvoroço internacional com fala de mesmo teor feita no final do ano, antes de sua posse.
O BRICS, hoje composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã, foi fundado em 2006 com o intuito de estabelecer aliança entre os principais países emergentes para a conquista de uma maior autonomia no cenário econômico mundial e influência dentro dos órgãos de governança global, majoritariamente ocupados pelas potências ocidentais.
O bloco representa 46% da população mundial e, de acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional, o PIB combinado dos países membros ultrapassa o das potências ocidentais. Além disso, China, Índia e Brasil figuram no ranking das 10 maiores economias mundiais.
No entanto, as informações elencadas, não atribuem ao bloco poder maior que as potências consolidadas. Isso, devido as diferenças culturais políticas entre os países membros e a inferioridade do poderio bélico do bloco em relação aos países mais desenvolvidos.
Dependência do dólar
As discussões sobre substituição, redução da dependência da moeda americana nas transações internacionais possui caráter preventivo no que concerne a vulnerabilidade dos países frente a possíveis casos de oscilações na política monetária dos EUA, mas não somente, há motivações geopolíticas para a pauta do BRICS. Uma delas foi a sanção imposta à Rússia que excluiu os bancos do país do SWIFT – sistema de comunicação global entre bancos e instituições financeiras – após a invasão a Ucrânia há 3 anos. A medida, passou a ser contornada pela Rússia por meio da reivindicação de transações em outros tipos de moedas, a fim de mitigar a dependência do sistema internacional e reduzir danos às suas transações.
A China, que tem sua economia como a 2ª maior do mundo, atrás dos EUA, também vem buscando alternativa ao dólar, incentivando negociações em suas moedas, o yuan e renmimbi.
Analistas e especialistas do mercado financeiro, explicam, que as propostas de desdolarização de países emergentes, tem como ponto chave, a alegação de que os EUA têm usufruído do sistema de dominância do dólar como arma geopolítica na aplicação de sanções a outros países, tidos como hostis.
Guerra Comercial?
Como resposta às medidas tarifárias de Trump, os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos poderiam adotar tarifas sobre as exportações americanas, como produtos agrícolas, energia e equipamentos. Esse cenário, no entanto, poderia desencadear uma guerra comercial, gerando incertezas para investidores e empresas nas negociações futuras.
Por outro lado, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o BRICS, do qual a Rússia é membro “não está falando sobre a criação de uma moeda comum, nem nunca falou sobre isso. Estamos discutindo a criação de novas plataformas de investimento conjunto, que permitirão investimentos mútuos em terceiros países e outras iniciativas semelhantes”.
Peskov também sugeriu que seria necessário que os especialistas dos EUA explicassem melhor a agenda do BRICS ao presidente Trump.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (30) que, caso os Estados Unidos aumentem as tarifas sobre produtos brasileiros, o Brasil responderá com reciprocidade, taxando os produtos exportados para os EUA. “Simples, não tem nenhuma dificuldade”, afirmou.
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